Dirigente do Avante afirma que Arilton Moura pediu doação para ‘obra missionária’, chama religioso de ‘pilantra’ e elogia ministro exonerado.

Um dirigente do partido Avante, do interior de São Paulo, afirmou nesta terça-feira que o pastor Arilton Moura, acusado de pedir propina para liberar recursos no Ministério da Educação, pediu-lhe doações para uma “obra missionária fora do país”, realizada por sua igreja.
O religioso é assessor de Assuntos Políticos da Convenção Nacional de Igrejas e Ministros das Assembleias de Deus no Brasil, e não tem cargo no MEC. O escândalo culminou na saída de Milton Ribeiro da pasta, com a exoneração do ministro publicada ontem no Diário Oficial.
Presidente municipal do Avante de Piracicaba, José Edvaldo Brito disse que o pedido foi feito durante negociação com o pastor, que intermediava a relação de gestores municipais com o MEC, para planejar um evento da pasta na cidade paulista de Nova Odessa.
Brito afirmou que levou o caso à Polícia Federal e que está esperando ser intimado para apresentar as provas. Ele afirma ser o autor de pelo menos uma das denúncias que chegaram à Controladoria-Geral da União (CGU) sobre o caso dos dois pastores acusados de cobrar propina a prefeitos para ajudá-los a destravar recursos junto ao MEC.
Ele declarou ter sido enganado por Arilton e que conseguiu uma doação de R$ 67 mil, por meio de um amigo “empresário cristão”, para a tal obra missionária, e que pensou se tratar de um projeto humanitário bem intencionado. Também disse não se lembrar em qual país seria feita a ação religiosa: “Haiti, algo assim, um país pobre”.
Comerciante e radialista apoiador do governo Bolsonaro, Brito atuou como organizador de um encontro do MEC chamado de “Gabinete Itinerante” realizado em Nova Odessa em 21 de agosto de 2021.
O evento contou com a presença do então ministro Milton Ribeiro, do presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), Marcelo Ponte, e de gestores de 72 municípios, entre prefeitos, secretários de educação, além de deputados e vereadores. Compareceram também os pastores Gilmar Santos, também acusado de pedir propina, e Arilton. Os dois tiveram assentos de destaque e discursaram durante a cerimônia.
Ribeiro foi exonerado nesta segunda-feira, na esteira do escândalo de denúncias de ilegalidades envolvendo a distribuição de verbas da pasta. Ele se tornou alvo de uma investigação da PF e foi pressionado por lideranças evangélicas preocupadas com a repercussão do caso.
Aliados do presidente Jair Bolsonaro, que afirmou que colocaria “a cara no fogo pelo Milton”, temiam que o caso respingasse em sua campanha à reeleição. O GLOBO tenta contato com o pastor Arilton Moura.
Fonte: IG.

