Após desistir de denúncia por assédio contra Marquinhos Trad, ex-mirim ‘ganhou’ cargo sem concurso na prefeitura

Logo após desistir da denúncia para ‘evitar perseguição’, jovem foi nomeada no gabinete de Antônio Lacerda

Em 2018, a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul já havia recebido uma denúncia de assédio contra o então prefeito de Campo Grande, Marquinhos Trad (PSD). Na época, a vítima do suposto ataque sexual foi uma estudante que atuava como mirim, então com 17 anos.

No entanto, a jovem diz que não prosseguiu com a denúncia para ‘evitar perseguições’. Meses depois ela acabou nomeada sem concurso público na Prefeitura. Mirim é o nome dado regionalmente para estudantes que fazem estágio remunerado. O nome se deve ao Instituto Mirim, que intermedia a relação entre os estudantes e o local de trabalho.

O pré-candidato a governador foi denunciado neste mês por outras mulheres, também por assédio sexual. Embora admita adultério com duas das denunciantes, Marquinhos nega os crimes sexuais e afirma que as novas denúncias seriam uma ‘armação eleitoral’. O ex-prefeito afirma que ‘não há lógica’ no que alega a ex-mirim porque ela já era funcionária do município. “É tudo uma armação e eu vou provar”, disse o pré-candidato ao Governo.

Segundo Trad, após defender indígenas e criticar ação policial em Amambai que virou conflito e terminou com uma morte, ele teria se tornado alvo de retaliação por parte do secretário estadual de Segurança Pública, Carlos Videira. Os dois trocaram farpas por WhatsApp.

Na conversa, o titular da Sejusp (Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública) chega a citar o caso de 2018 com a então mirim.

Videira nega que tenha ameaçado Marquinhos e também que teria ‘jogado na cara’ suposta operação para abafar a denúncia e ‘salvar’ Trad no caso, que acabou mesmo arquivado.

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Vítima foi nomeada para cargo comissionado – Reprodução

Lacerda foi atrás da vítima, que acabou nomeada no gabinete dele

A denúncia foi feita na Depca (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente) em fevereiro de 2018, um dia após a adolescente relatar o fato à mãe. Ela teria sido beijada pelo então prefeito com um selinho, após ele pedir a ela um beijo na bochecha.

A vítima estava em casa quando policiais civis chegaram, relatando terem recebido a denúncia anônima. Naquele dia, teve início apuração do caso de suposto assédio sexual, com aumento de pena se a vítima é menor de 18 anos.

Segundo os registros policiais aos quais a reportagem teve acesso, no momento em que o boletim de ocorrência era elaborado, o então secretário de Governo de Marquinhos na Prefeitura, Antônio Cézar Lacerda Alves, atual presidente municipal do PSD, teria ido até a delegacia, supostamente para tentar coagir a vítima.

Um investigador o retirou do local. Mesmo assim, no depoimento feito pela mãe da jovem, ela afirmou que não queria prosseguir com a denúncia, para não ser perturbada ou perseguida pelo prefeito e seus assessores.

Ainda em fevereiro de 2018, o inquérito foi remetido ao TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul). A princípio, não houve denúncia sobre o caso.

Meses depois, já em setembro de 2018, a jovem foi nomeada para um cargo comissionado, em decreto assinado por Marquinhos Trad.

Em 2019, a vítima foi remanejada, justamente para o gabinete de Lacerda, que teria ido até a Depca ao saber que a vítima e sua mãe prestavam queixa.

Nas novas denúncias feitas contra o pré-candidato ao Governo do Estado na Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), uma das vítimas contou que sabia de outras mulheres que tentaram denunciar Marquinhos Trad.

Segundo outras vítimas que falaram com a reportagem e prestaram depoimento à Polícia Civil, a suspeita é de que o emprego seria uma forma de ‘compensação’ para a jovem por desistir da denúncia por assédio sexual.

Vários dos relatos envolvem a promessa de benefícios financeiros para atrair as supostas vítimas de Marquinhos Trad.

Jornal Midiamax entrou em contato com a ex-mirim, que agora já é maior de idade e continua como nomeada na Prefeitura de Campo Grande, e questionou se o cargo que conseguiu sem concurso público poderia ter a ver com suposto ‘acordo’.

Ela nega e diz que atuava na Prefeitura antes mesmo de Marquinhos Trad assumir como Prefeito. Sobre o suposto acordo com compensação financeira para ‘abafar o caso’, a jovem se limitou a dizer que registrou em cartório uma declaração sobre o fato.

É uma declaração que eu conto que não aconteceu nada. Que eu conto o que realmente aconteceu”, concluiu.

Segundo apurou o Jornal Midiamax, a ex-mirim ainda consta no Portal da Transparência do município com salário de R$ 3.439,77. A última admissão na Secretaria Municipal de Governo e Relações Institucionais, no cargo de gestor de processo, ocorreu em 1º de janeiro de 2021.

Fonte: Midiamax.

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