
Nos dois dias seguintes à assinatura da Medida Provisória (MP) que proíbe as apostas esportivas e os cassinos online no Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) virou alvo de publicações na internet para tentar conter o impacto eleitoral positivo da medida.
Foram sete publicações que incorreram na mesma imprecisão: atribuíram a Lula a liberação das bets. Na verdade, em 2018 o ex-presidente Michel Temer (MDB) autorizou o funcionamento de sites de apostas esportivas em quota única. O problema é que as mesmas plataformas passaram a oferecer os cassinos online – o mais popular deles, o Fortune Tiger, conhecido como Jogo do Tigrinho.
Até dezembro de 2023, os cassinos online não eram regulamentados, mas funcionavam em uma “zona cinzenta” da legislação. Àquela época, o governo petista sancionou uma lei que criou regras tanto para as apostas esportivas, quanto para o Tigrinho e outros jogos do tipo. Para funcionar dentro da lei, as empresas tiveram de pagar outorga de R$ 30 milhões.
7 posts de 6 estados em 48h
Em 26 de setembro, dois anúncios oriundos dos extremos do país – um do Amazonas e outro do Rio Grande do Sul – atacam Lula pela regulação das bets.
No Amazonas, o candidato a deputado federal Hissa Abrahão (Republicanos) investiu entre R$ 3 mil e R$ 3,5 mil em uma publicação para atribuir a Lula a responsabilidade de “abrir a porta do Tigrinho”, com base na lei sancionada em dezembro de 2023. A postagem alcançou até 1 milhão de usuários do Instagram.
No mesmo dia, o candidato a deputado estadual no Rio Grande do Sul, Professor Cláudio Branchieri (PL), afirmou, em post no Instagram, que o governo Lula “ganhou bilhões” com o o Tigrinho e o proibiu a dez dias das eleições. A publicação teve investimento de menos de R$ 400 e alcançou até 100 mil pessoas.
Dois dias após a MP
Cinco novas publicações sobre o assunto surgem nas redes sociais em 27 de setembro. Elas vêm de quatro estados: Mato Grosso, Paraíba, Ceará e Paraná.
Candidata à presidência pelo Democracia Cristã, a mato-grossense Clariana Barão investiu entre R$ 2 mil a R$ 2,5 mil em uma publicação que alcançou mais de 1 milhão de usuários do Facebook e do Instagram. A publicação coloca Lula como “pai do Tigrinho” e questiona “por que só agora?” e classifica a MP como uma medida provisória.
Também do Mato Grosso, o candidato a deputado federal Nilson Leitão (PP-MT) investiu menos de R$ 1 mil para alcançar até 500 mil pessoas nas redes sociais. Ele chama a MP que proíbe as bets de “jogada eleitoral e hipocrisia”.
Na Paraíba, a página Blog do Milton Figueiredo replicou um vídeo da campanha eleitoral de Flávio Bolsonaro, no qual o candidato do PL à presidência chama Lula de “pai do Tigrinho” e diz que a MP contra as bets é um “desespero” devido ao cenário eleitoral.
A publicação alcançou mais de 1 milhão de pessoas no Instagram e no Facebook, com menos de R$ 100 de investimento.
Já no Ceará, a publicação impulsionada é do Vereador PPCell (PL), que se candidatou a deputado federal. Ele alcançou mais de 1 milhão de pessoas, investindo menos de R$ 300. No vídeo, o candidato aparece de camisa preta escutando relatos de pessoas viciadas ou próximas de Lula e diz que o petista foi quem “liberou as bets”.
No Paraná, o impulsionamento vem de Reinhold Stephanes Junior (PL), candidato a deputado federal. A publicação omite parte da informação correta, diz que os sites de apostas só saem do ar no dia 6 de outubro, dois dias após as eleições – o que é fato, mas deixa de explicar que já não se pode mais depositar dinheiro em nenhuma plataforma.
A publicação do candidato paranaense alcançou até 1 milhão de contas do Instagram, com menos de R$ 700 investidos em impulsionamento.
Fonte: METRÓPOLES

