Advogada é presa com R$ 84,8 mil em operação da PF que investiga tráfico internacional de drogas; defesa afirma que prisão é ilegal

A advogada e empresária Thatiana Rabelo Mesquita Theodoro, uma das sócias do restaurante Tatu Bola Bar, foi presa nesta terça-feira (25) em Cuiabá, durante a Operação Bóreas deflagrada pela Polícia Federal, que investiga organização criminosa atuante na logística de transporte aéreo internacional de drogas e de armas de fogo.

As investigações indicam que o grupo criminoso era responsável pela organização de voos, pela utilização de aeronaves e de pistas clandestinas, além do suporte logístico necessário ao transporte de cocaína e de armas de fogo provenientes da Bolívia e do Peru com destino ao Brasil. 

Primeira Página entrou em contato com o advogado Fernando Faria, que patrocina a defesa de Thatiana, que informou à reportagem que a prisão da cliente, que também é advogada e membro da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Mato Grosso (OAB-MT) é considerada por ele ilegal.

Para o defensor, a detenção não seguiu os protocolos exigidos quando envolve um membro da Ordem e acredita que ao ser examinada a prisão preventiva não preencherá os quesitos necessários para sua manutenção.

“A condução foi ruim, fora do protocolo, fora da lei, portanto, ilegal. E se examinada a prisão, superada essa questão, a prisão é ilegal também porque não preenche os requisitos, é desnecessária e não é adequada”, mencionou.

Já a OAB-MT manifestou que o Tribunal de Defesa das Prerrogativas (TDP) acompanhou a ocorrência, para garantia das prerrogativas. “Quanto a eventual falta ética, o caso será avaliado pelo Tribunal de Ética e Disciplina (TED) para medidas cabíveis”, diz trecho da nota.

Prisão e apreensão de carro de luxo e mais de R$ 80 mil

O mandado de prisão preventiva em desfavor de Thatiana foi expedido pela 4ª Vara Federal da Justiça de Tocantins. Com ela foram apreendidos um celular Iphone, R$ 9.800 reais em dinheiro que estavam na mesa de cabeceira da investigada, além de outros R$ 75 mil em uma gaveta da sala do apartamento, totalizando R$ 84.800. Um veículo VWT CRoss também foi apreendido.

Segundo o auto circunstanciado de busca acompanharam a busca e apreensão os advogados Patrícia Alves de Carvalho, Pedro Rodrigues da Silva Neto e ainda Lucas André de Carvalho Teles Figueiredo, do Tribunal de Prerrogativas da OAB-MT. O documento cita ainda que o advogado dela Fernando Faria também acompanhou a busca e apreensão.

Após o procedimento, Thatiana foi recolhida nas dependências da Superintendência Regional da Polícia Federal em Mato Grosso, em Cuiabá.

“Cumpre informar que a referida unidade não dispõe de instalação especificamente disposta ou denominada como “Sala de Estado Maior”. Contudo, a fim de assegurar integralmente a dignidade, a segurança e as prerrogativas da advogada, o recolhimento está sendo cumprido em cela individual”, diz trecho.

Durante audiência de custódia a prisão foi mantida pelo juiz plantonista da Justiça Federal Jeferson Schneider. Na sessão, a advogada chorou e disse que não sabia porque estava sendo presa e que foi tratada como uma “criminosa federal”

“Eu tenho residência fixa, moro há 20 anos em Cuiabá, não sei do que se trata, eu tenho um irmão que está preso fora, imagino que seja algo ligado a ele, pelo mandado de Tocantins. Eu tô me sentindo totalmente fora da minha realidade, eu não faço ideia do fundamento disso. Eu nunca pisei numa delegacia, nunca tive o nome no Serasa, para hoje estar aqui na Polícia Federal”, comentou a advogada.

Operação Bóreas

Segundo a PF, a ação contou com participação da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Tocantins (FICCO/TO). A operação cumpriu três mandados de prisão preventiva e três de busca e apreensão.

Também foram executadas medidas de apreensão de aeronaves, bloqueio e sequestro de bens e valores, determinadas pelo Juízo da 4ª Vara Federal de Palmas. A Polícia Federal também solicitou a inclusão de dez investigados na lista de Difusão Vermelha da Interpol.

Se comprovadas as participações nos supostos crimes, os investigados poderão responder por tráfico internacional de drogas, organização criminosa e lavagem de dinheiro, entre outros delitos que venham a ser identificados no decorrer das investigações.

Fonte: Primeira Página

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