Vice de Marçal é réu por associação criminosa e vínculo com PCC

Leonardo “Avalanche”, presidente do PRTB e candidato à vice-Presidência da República na chapa de Pablo Marçal, é réu na Justiça de São Paulo, acusado de crimes como associação criminosa, ameaça e manipulação de sistema público de informações.

O processo, acolhido em março, corre em segredo de Justiça por ter sua origem em denúncia de violência política contra mulher, pelo que ele também é réu. Avalanche ainda é investigado em pelo menos outros cinco inquéritos na Polícia Federal, por crimes correlatos.

Duas pessoas conseguiram medidas protetivas contra Avalanche, que está proibido de chegar a menos de 500m e de se comunicar com elas. Uma testemunha, que trabalhava para ele, está sob proteção da Polícia Federal depois de relatar ter presenciado diversos crimes, incluindo o encaminhamento da vice-presidente do partido, Rachel de Carvalho, ao tribunal do PCC, para que fosse obrigada a renunciar.

A denúncia do Ministério Público Eleitoral (MPE), após investigação a cargo da Polícia Federal, cita que, em 16 de março de 2024, dia do seu aniversário, Rachel foi atraída ao escritório de Joaquim Pereira de Paulo Neto, advogado de Avalanche, onde foi submetida a uma “rodada de ameaças e pressões”, depois de o político dissolver arbitrariamente o diretório paulista, que era comandado por ela – depois, passou à mão de um membro do PCC e, em seguida, de Joaquim.

“Na ocasião, os denunciados disseram à vítima o seguinte: ‘Não é um acordo, nem uma proposta, nós vamos pegar o Estado de São Paulo de vocês, e olha nos meus olhos, se você não se comportar, você nunca mais vai olhar nos olhos de ninguém, nem nos meus, nem no de ninguém’”, relata o MPE, com base no depoimento de Rachel.

A pressão seguiu e, em 3 de abril, Rachel estava em uma loja do McDonald’s, de luto pela morte do pai, ocorrida um dia antes, quando capangas de Avalanche apareceram. Ela relatou à polícia ter sido levada a uma espécie de tribunal do crime, na presença de membros declarados do PCC, onde todos os celulares foram tomados.

Ali, teria ouvido de Patrícia Reitter, consultora jurídica do PRTB e sócia de Joaquim, que “poderia ir visitar o cemitério muitas vezes” caso não assinasse a renúncia.

De acordo com a denúncia do MPE, Patrícia teria declarado ser integrante do PCC e que a organização criminosa estaria no controle do partido (o próprio Avalanche disse, em um áudio tornado público em 2024, que era vinculado ao PCC). Em seguida, teria passado o celular de Rachel para a secretária de Avalanche, que havia lhe encaminhado um termo de renúncia para que ela assinasse digitalmente. Patrícia teria tirado a selfie de Rachel e consolidado a renúncia forçada.

Antes, em 12 de março, em um restaurante em São Paulo, Leonardo já havia dito a Rachel, sempre de acordo com a denúncia do MPE, que, se ela recebesse ligação dizendo “pega tua vara e vai pescar”, ela deveria se despedir de seus familiares, pois seria morta. Duas testemunhas confirmaram à polícia terem ouvido a declaração.

Avalanche tinha como estratégia controlar o PRTB para lançar Pablo Marçal como candidato a prefeito pelo partido e, novamente segundo o MPE, cobrar propina para entregar a presidência de diretórios municipais a políticos de todo o país. Para chegar lá, valeu-se de fraudes das mais diversas.

Filiações fraudulentas decidiram destino do partido

O PRTB foi fundado em 1994 por Levy Fidelix e pessoas então próximas ao folclórico político, que seguiu à frente do partido até sua morte, em abril de 2021, de Covid. Três grupos passaram, então, a disputar o comando da agremiação, capitaneados pela viúva Aldineia Fidelix, pelo irmão Júlio Cezar Fidelix e pela ex-assessora Rachel de Carvalho.

fONTE: METRÓPOLES

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