Reabilitada no PL, Michelle volta a tentar emplacar aliada na disputa pela vice de Flávio

Com a possibilidade cada vez maior de o PL lançar uma chapa pura na disputa presidencial, a deputada federal Priscila Costa (PL), uma das principais aliadas de Michelle Bolsonaro, ganhou força nos bastidores para ocupar a vaga de vice de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). 

Integrantes da cúpula do partido afirmam que a ex-primeira-dama, que segue resistente à ideia de integrar a chapa, passou a defender o nome da parlamentar cearense nas conversas sobre a composição presidencial.

A movimentação ocorre em meio ao processo de reaproximação entre Flávio e Michelle, após a crise desencadeada pelas divergências em torno da sucessão no Ceará. Dirigentes do PL afirmam que a eventual escolha de Priscila seria interpretada como um gesto de prestígio ao grupo político da ex-primeira-dama, sem que ela precisasse assumir diretamente a candidatura a vice, hipótese que continua sendo descartada por pessoas próximas.

Hoje, a principal preferência de Flávio continua sendo a ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques, responsável pela elaboração das propostas da campanha voltadas para as mulheres. O nome dela, porém, depende de uma composição com o Republicanos, cenário que perdeu força por dificuldades para fechar uma aliança nacional entre os dois partidos. 

Diante desse quadro, dirigentes do PL passaram a trabalhar com mais intensidade a possibilidade de uma chapa exclusivamente formada por filiados da legenda.

Nesse cenário, Priscila passou a reunir apoios em diferentes alas do partido. Além da proximidade com Michelle, pesa a avaliação de que ela reúne atributos considerados estratégicos para a campanha: é nordestina, evangélica, mãe, foi a vereadora mais votada de Fortaleza em 2024 e tem boa interlocução com a Assembleia de Deus. 

A parlamentar também foi responsável por aproximar Flávio de lideranças da denominação, organizando encontros do senador com pastores da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB), segmento considerado prioritário pela campanha.

A defesa de Michelle por Priscila também está diretamente ligada à crise que afastou a ex-primeira-dama e Flávio nas últimas semanas. Michelle defendia que a aliada disputasse o Senado pelo Ceará, mas acabou derrotada nas negociações internas do PL, que optou por apoiar a candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao governo do estado. O episódio desencadeou o rompimento entre madrasta e enteado e levou Michelle a fazer críticas públicas à condução das articulações do partido. 

Apesar do acordo de paz firmado após o pedido público de desculpas de Flávio, aliados afirmam que ela continua convencida de que o PL errou ao fechar aliança com Ciro e mantém o entendimento de que Priscila deveria ter sido prestigiada pelo partido.

Procurada pelo GLOBO, Priscila evitou tratar a possibilidade como uma candidatura consolidada e afirmou que continua concentrada na eleição estadual.

— Minha postura é que tenho me ocupado com o Ceará. Tenho estado com Flávio e a vitória dele é importante para a gente. Que ele escolha a melhor vice. Sempre que sou citada, recebo com alegria e me sinto honrada. As conjunturas mudam, depende dos outros partidos — disse.

A definição da vice continua prevista para ocorrer até 5 de agosto, prazo final das convenções partidárias. Até lá, o PL ainda tentará viabilizar uma composição com outras legendas. Nos bastidores, porém, cresce a percepção de que a chapa pura se tornou o cenário mais provável, reduzindo o leque de opções e nomes da própria legenda, como Priscila Costa.

Além de Priscila, as deputadas Bia Kicis (DF) e Júlia Zanatta (SC) são constantemente citadas.

Michelle também é lembrada pela cúpula do PL, mas entre interlocutores a avaliação é de que ela será candidata ao Senado.

Fonte: Globo.com

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