
O Banco Digimais enviou em maio uma notificação extrajudicial ao ICL Notícias contestando uma reportagem que apontava sinais de deterioração financeira, captação agressiva de recursos e questionamentos envolvendo a atuação da instituição no mercado de crédito consignado. Pouco mais de um mês depois, uma representação da Polícia Federal baseada em informações do Banco Central passou a citar indícios de irregularidades contábeis, ativos superavaliados e operações consideradas incompatíveis com as normas do sistema financeiro.
A notificação enviada ao ICL, datada de 7 de maio, pedia a retirada da reportagem intitulada “Tarcísio e Nunes liberam banco de Edir Macedo sob crise para consignado de servidores” ou a publicação dos argumentos da instituição.
No documento, o banco afirmava que não enfrentava deterioração financeira, negava a existência de problemas patrimoniais e sustentava que não havia dados oficiais capazes de respaldar alegações de irregularidades sistêmicas ou práticas incompatíveis com a regulação bancária.
A representação da Polícia Federal, protocolada na 7ª Vara Criminal Federal de São Paulo no âmbito do inquérito nº 5002487-06.2026.4.03.6181, descreve um cenário bastante diferente daquele apresentado pelo banco ao ICL.
Segundo os investigadores, o Digimais “sofreu uma severa deterioração de seus indicadores financeiros, caracterizada por prejuízos expressivos, alta inadimplência e pela necessidade de sucessivos aportes de capital por parte do controlador”.
A PF também afirma que a instituição passou a emitir CDBs com remunerações superiores a 110% do CDI e aponta que a estratégia de captação adotada pelo banco guardava semelhanças com o modelo utilizado pelo Banco Master.
A investigação menciona ainda uma exposição de aproximadamente R$ 600 milhões a carteiras de crédito do Master, cujos ativos passaram a ser questionados quanto à qualidade, ao lastro e à regularidade documental.
Fonte: ICL

