App de comida conectou tenente-coronel a lavagem de dinheiro do PCC

O uso de um aplicativo de entrega de comida pelo tenente-coronel da Polícia Militar (PM) José Henrique Martins Flores foi determinante para que a Corregedoria da corporação consolidasse a convicção de que o oficial frequentava, de forma recorrente, endereços de empresas registradas em nome de familiares. Como indica investigação, elas eram utilizadas para receber pagamentos de companhias de ônibus apontadas como ligadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Os dados obtidos pela investigação revelam que os endereços cadastrados no aplicativo coincidiam com todos os locais associados ao grupo empresarial AM3, estrutura apontada no Inquérito Policial Militar (IPM) como responsável por viabilizar financeiramente a prestação de serviços de segurança privada feita por policiais militares a integrantes da facção.

Rastros digitais e a presença do oficial

A análise do histórico do app de entregas insere um elemento concreto em uma apuração que, até então, se sustentava principalmente em vínculos societários e trocas de mensagens. Ao mapear os locais cadastrados no aplicativo, a Corregedoria identificou que o tenente-coronel mantinha presença frequente justamente nos endereços vinculados às empresas formalmente registradas em nome de sua mãe, padrasto e outros familiares.

Para os investigadores, o dado reforça o entendimento de que o oficial não apenas tinha conhecimento das atividades, como também participava da rotina operacional das empresas. Isso porque os parentes indicados como sócios residem no interior paulista, a mais de 500 quilômetros da capital, sem condições práticas de administrar presencialmente negócios na cidade de São Paulo.

Nesse cenário, os registros digitais funcionam como provas ao indicar que a gestão, de fato, ocorria onde o oficial estava e não onde os sócios formais residiam.

Empresas em nome de familiares

A estrutura descrita no IPM aponta que o tenente-coronel utilizava familiares como “laranjas” para registrar empresas do ramo de segurança e serviços. Entre os nomes, aparecem sua mãe, seu padrasto, e outros parentes, todos vinculados a empresas do grupo AM3. O marido do oficial também consta como proprietário de uma empresa do mesmo ramo de atuação.

A composição societária, como mostra a Corregedoria, revela uma administração apenas formal, incompatível com a realidade operacional. O próprio inquérito destaca que idade e localização dos sócios indicam a impossibilidade de gestão direta, apontando que as atividades eram, na prática, coordenadas pelo oficial.

É por meio dessas empresas que, de acordo com a investigação, eram emitidas notas fiscais usadas para dar aparência de legalidade aos pagamentos, recebidos pelos serviços de segurança prestados a empresas de ônibus sob suspeita de ligação com a maior facção criminosa do país.

O elo com a operação e o PCC

O caso se conecta diretamente às investigações conduzidas pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) na Operação Fim da Linha, que apontou o uso de empresas como Transwolff e UPBus para lavagem de dinheiro do PCC.

Fonte: Metrópoles

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