PF investiga aporte milionário de município paulista no Banco Master

Polícia Federal cumpre seis mandados de busca e apreensão no interior de São Paulo, na manhã desta quinta-feira (23/4), no âmbito de uma operação que investiga a aplicação de aproximadamente R$ 13 milhões da previdência social do município de Santo Antônio de Posse em Letras Financeiras do Banco Master e do Banco Daycoval.

A investigação identificou que o Instituto de Previdência Municipal realizou três operações de aquisição de Letras Financeiras, todas intermediadas pela Genial Investimentos:

  • R$ 6 milhões em 16/10/2023, emitida pelo Banco Daycoval, com vencimento em 17/10/2033;
  • R$ 5 milhões em 22/04/2024, emitida pelo Banco Master, com vencimento em 20/04/2034;
  • R$ 2 milhões em 03/05/2024, também emitida pelo Banco Master, com vencimento em 03/05/2034.

A Operação Moral Hazard teve início a partir de informações que apontavam possíveis irregularidades na “gestão temerária” do Instituto de Previdência Municipal. Gestores que exerciam funções estratégicas são alvos da PF.

A informação fiscal e os documentos obtidos indicam que o processo decisório relativo aos investimentos contou com a participação “ativa e determinante” do diretor-presidente e gestor de recursos à época dos fatos, Hortêncio Lala Neto e da supervisora de gestão do Instituto Marlene Maria Vieira Bassani.

Lala Neto, segundo as investigações, teria atuado como proponente das Autorizações de Aplicação e Resgate (APR) vinculadas às Letras Financeiras emitidas pelos Bancos Daycoval e Master, figurando nas atas das reuniões dos Comitês de Investimentos que decidiram pelas aplicações.

Além disso, a PF afirma que as aplicações decorreram de iniciativa do Comitê de Investimentos, com a participação ativa dos seus membros: Maria de Lourdes VillalvaHélio Augusto Moraes e Tatiana Feliz dos Reis, que também são investigados.

Além de Santo Antônio de Posse, há mandados sendo cumpridos em Mogi Mirim e medidas cautelares de afastamento de função pública e indisponibilidade de bens, expedidas pela 9ª Vara Federal de Campinas.

Alerta do MPC

Santo Antônio de Posse, assim como outros quatro municípios paulistas (Araras, Cajamar, Santa Rita do Oeste e São Roque) foram alertados, em 2024, pelo Ministério Público de Contas (MPCsobre possíveis entraves com os investimentos no futuro. As representações já destacavam problemas de reputação do Master após publicações na mídia sobre o crescimento meteórico da instituição.

“Criou-se um cenário de preocupação não apenas sobre exposição do risco reputacional de tal instituição financeira, mas, mais preocupante, sobre sua própria solidez patrimonial”, afirmou o MPC.

Vorcaro preso

O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi preso e – depois solto – pela primeira vez em novembro de 2025, na primeira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela PF. Na ocasião, foram bloqueados R$ 12 bilhões correspondentes ao montante suspeito de ter sido emitido de forma fraudulenta, na tentativa de compra do Banco Master pelo BRB, banco estatal do governo do Distrito Federal.

A Operação Compliance Zero apura supostas irregularidades na gestão do Banco Master, em um esquema que teria provocado um rombo de quase R$ 40 bilhões no mercado financeiro.

Em março de 2026, na terceira fase da Compliance Zero, Vorcaro teve nova prisão autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. O banqueiro atualmente está preso preventivamente na Superintendência da Polícia Federal (PF) em Brasília. Ele foi transferido da Penitenciária Federal de Brasília para a PF em 19 de março de 2026, onde permanece em uma cela solitária

Metrópoles busca a defesa dos investigados pela PF na operação desta quinta-feira. A Prefeitura de Santo Antônio da Posse, assim como o Instituto de Previdência do Município foram procurados para um posicionamento. O espaço está aberto para atualizações.

Fonte: Metrópoles

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