Após Moraes impor multa, Silveira cede e diz que colocará tornozeleira

Deputado se recusava a deixar a Câmara e fixar o aparato até que a Casa colocasse em votação uma proposta para suspender a ação penal

Em entrevista nesta quarta-feira (30/3) à Jovem Pan, o deputado Daniel Silveira afirmou que vai deixar as dependências da Câmara e colocar a tornozeleira eletrônica. A decisão veio após o ministro Alexandre de Moraes determinar uma multa diária de R$ 15 mil para o parlamentar, além do bloqueio das contas, caso ele continuasse se negando a cumprir ordem judicial do magistrado.

“Vou para o meu apartamento para dormir e vou colocar essa tornozeleira para agradar [Moraes]. Ele gosta tanto dessa tornozeleira que ele devia pegar uma para ele”, disse Silveira sobre o ministro do STF.

Segundo o parlamentar, a determinação de “sequestro de bens” e “bloqueio de conta” o levou a recuar e obedecer ao Supremo. “Não tenho caixinha de corrupção, não tenho secretaria, não tenho carguinho aqui e acolá. Então, é meu salário. Se vai tentar atingir a minha família, vou ter que me submeter a uma ilegalidade”, explicou.

Silveira ainda criticou o presidente da Câmara, Arthur Lira, que, para ele, não percebeu que “vai abrir uma precedência contra mais 512 deputados, porque legalmente, taxativamente, tem que pautar antes no plenário, os deputados decidirem se a imposição da cautelar está legal, aceitável, ou não”.

Mesmo cedendo às determinações, Silveira voltou a atacar Moraes, a quem chamou de “pessoa fraca, frustrada” e que “o Brasil tem que entender que ele é um inimigo em comum da nação”.

“A decisão de bloquear bens foi uma medida ilegal e que, quando um ministro do STF faz isso, abre precedentes contra os parlamentares da Câmara dos Deputados”, prosseguiu o deputado.

“Covil de réus foragidos”

A Polícia Penal do Distrito Federal e a Polícia Federal estiveram na Câmara dos Deputados na tarde desta quarta para instalar o aparato, mas Silveira se negou.

Logo depois, o ministro Alexandre de Moraes determinou multa diária de R$ 15 mil para Silveira, além do bloqueio das contas do parlamentar, caso ele continuasse se negando a cumprir ordem judicial do magistrado.

Moraes descreveu a ação de Daniel Silveira de se refugiar na Câmara como “estranha e esdrúxula” e afirmou que o deputado usa o Parlamento como “covil de réus foragidos da Justiça”.

“Não só estranha e esdrúxula situação, mas também de duvidosa inteligência a opção do réu, pois o mesmo terminou por cercear sua liberdade aos limites arquitetônicos da Câmara dos Deputados, situação muito mais drástica do que àquela prevista em decisão judicial”, destacou Moraes.

Fonte: Metrópoles.

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