Taxa Selic deve chegar a 11,75% nesta quarta, preveem analistas

Guerra na Ucrânia não deve alterar decisão do Copom na reunião de hoje. Nos EUA, expectativa é de alta na casa dos 0,25 ponto percentual, a primeira desde 2018.

O cenário de guerra na Ucrânia nas últimas semanas e que tem impactado os preços no país não deve alterar a decisão do Banco Central (BC), nesta quarta-feira (16), de subir a taxa básica de juros, a Selic, para 11,75% ao ano, uma alta de 1 ponto percentual  em relação à taxa atual. A expectativa consta no relatório Focus, que reúne as projeções de mercado.

Divulgado na segunda-feira, o documento mostra que o desenrolar do conflito entre Ucrânia e Rússia só deve impactar as decisões sobre juros ao longo do ano e não a desta quarta-feira. Neste sentido, o que mais tende a pesar é a inflação interna, que em fevereiro acumulou alta de 10,54% em doze meses, segundo o IPCA.

A CM Capital não mudou sua expectativa de alta para 11,75% ao ano para a decisão do Copom desta semana. Segundo Carla Argenta, economista-chefe, o conflito é muito recente e é difícil prever o que vai acontecer para ter como base em uma decisão sobre juros.

“Antes de ocorrer um risco muito grande em que você tenha que fazer uma reversão da política monetária, é mais seguro para a instituição manter a política desenhada inicialmente”, explicou.

Argenta ressalta também que o Banco Central brasileiro tem uma vantagem porque começou a subir os juros bem antes dos outros países e já está em um patamar que deve influenciar a inflação para baixo.

O Focus mostra que já há previsão de que o impacto da guerra nos preços dos combustíveis e alimentos deve elevar a inflação do ano, o que, por sua vez, impõe a necessidade de um salto maior nos juros.

Na semana passada, a expectativa era de Selic em 12,25% no fim do ano, mas já foi elevada para 12,75% ao ano. Houve também um salto na projeção de inflação de 5,65% para 6,45%. 

Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, passou a prever um ciclo mais intenso de alta nos juros, com a Selic em 13,25%. No entanto, para a reunião de quarta-feira a perspectiva continua sendo de elevação para 11,75%.

Sanchez aponta que o Banco Central deve manter prudência em um cenário econômico nebuloso. A expectativa do economista é que uma mudança nas decisões deve ser vista nas reuniões ao longo do ano.

“Acredito que a guerra está atribuindo um grau de imprevisibilidade muito grande para o horizonte econômico e acho que a autoridade monetária vai usar esse argumento como o ponto focal da prudência que eles deverão ter na condução da política monetária”, afirmou.

A economista-chefe do Banco Inter, Rafaela Vitória, também não mudou seu cenário para os juros. A expectativa é de alta de 1 p.p na reunião de quarta-feira, mais 0,5 p.p em maio, mantendo o patamar de 12,25% até o final do ano.

Segundo a analista, o cenário complicou por conta da alta nos preços de combustíveis e alimentos, mas os juros não têm tanto efeito neste caso porque é uma inflação de oferta e não de demanda.

Ou seja, não houve um aumento de demanda por um produto escasso, mas diminuição da oferta em um cenário de manutenção da demanda.

Fonte: IG.

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