Lira avalia ir ao STF contra acareação autorizada à PF por Dino

O entorno do ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL) tem defendido que ele conteste, no Supremo Tribunal Federal (STF), a decisão que autorizou à Polícia Federal (PF) uma acareação dele com o deputado José Rocha (União-BA).

Interlocutores ouvidos pela coluna afirmam que Lira avalia apresentar uma petição contra a ordem do ministro Flávio Dino. O argumento é que o próprio parlamentar ainda não prestou depoimento sobre o suposto orçamento secreto investigado pela PF.

A aliados, Lira classifica a acareação como descabida. Diz que o deputado no inquérito já foi confrontado por depoimentos de outros parlamentares, que indicariam contradições no relato.

O ex-presidente da Câmara sustenta para aliados que não haveria base jurídica para uma acareação antes mesmo de um depoimento formal, sobretudo também porque ele não figura como investigado — embora uma operação deflagrada em dezembro tenha mirado sua ex-assessora Mariângela Fialek, conhecida como “Tuca”.

Segundo apurou a coluna, Lira também argumenta que eventual acareação deveria ocorrer entre os próprios parlamentares que já depuseram no inquérito, já que o relato de Rocha diverge de outros, como o do deputado Fernando Marangoni (União-SP).

O ex-presidente da Câmara tem acrescentado em conversas reservadas que a distribuição de emendas de bancada segue múltiplos critérios, entre eles o tamanho e a relevância dos partidos, além da posição de líderes de comissão, que concentram maior volume de recursos.

Acareação

A acareação ocorre no âmbito de um inquérito que tramita no Supremo e apura desvios de emendas parlamentares do chamado Orçamento Secreto. A investigação atingiu a ex-assessora de Lira, “Tuca”, alvo de operação deflagrada em 12 de dezembro do ano passado.

Deputados ouvidos pela PF relataram que Tuca tinha uma visão ampla da Câmara para a destinação de emendas. Entre os parlamentares que apontaram esse cenário está José Rocha. A acareação tem como objetivo confrontar as versões apresentadas.

Em depoimento, Rocha afirmou que documentos como minutas de ofício e planilhas de indicação de recursos oriundos da presidência da Casa eram encaminhados por Tuca. Segundo ele, a comunicação ocorria de forma informal, por meio do WhatsApp.

A coluna apura a definição da data pela PF, diante da autorização do STF para a acareação.

Fonte: Metrópoles

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