
O empresário Sansão Inácio Rezende — alvo das operações Velatus e Spotless, em Terenos — tenta reaver seu iPhone 13 apreendido pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) ainda na Velatus, em agosto de 2024.
Naquela ocasião, Rezende foi alvo de busca e apreensão na operação que revelou esquema da “farra das empresas convidadas” que faziam “rodízio” para fraudar licitações de obras em Terenos, administrado pelo prefeito Henrique Budke (PSDB).
Entretanto, pouco mais de uma ano após a Velatus, Sansão foi preso na Spotless, deflagrada em setembro de 2025 — e que também prendeu Budke. Agora, o empreiteiro quer de volta o aparelho celular, periciado pela investigação em busca de indícios do esquema.
“Já houve a extração dos dados telemáticos, de modo que os dados e metadados constantes no objeto apreendido já se encontram em disposição do MPMS e da Polícia, não havendo necessidade de manutenção do aparelho apreendido, uma vez que a finalidade da apreensão já foi completamente alcançada”, diz a peça da defesa, que ainda espera uma devolutiva da Justiça.
Licitações fraudadas pelo grupo, segundo o Gaeco
Conforme a denúncia, as empresas de Genilton da Silva Moreira e do empreiteiro Sansão Inácio Rezende venceram licitação para construção de quatro pontes de madeira no município, em que Genilton receberia R$ 126 mil pelo serviço.
Porém, conforme dados extraídos de celulares do próprio Genilton, o MP aponta que eles teriam ajustado as propostas juntamente com outro empreiteiro, a fim de vencer o certame.
Na conversa, Isaac Cardoso Bisneto, ex-secretário de obras do Município, trata com Genilton supostamente sobre a licitação que ocorreria no mesmo dia, 11 de abril de 2022. O ex-secretário pergunta quem mais está com “vocês”, o que, segundo a denúncia, indica um ajuste prévio entre os empreiteiros.
Então, Genilton cita o nome dos colegas que acabaram participando da licitação, reforçando, segundo a denúncia, o conluio entre o grupo.
Outros diálogos reforçam ainda mais o acordo entre as partes. Por exemplo, conforme as investigações, o empreiteiro Sansão Inácio Rezende diz a Genilton que, no dia seguinte, seria publicada uma licitação “sua”, dando a entender que já estava tudo acertado entre o grupo.
Quanto a essas acusações, a defesa de Genilton minimiza, dizendo que “as provas apresentadas se concentram em termos utilizados em troca de mensagens, interpretadas em favor da acusação, sem qualquer respaldo fático para indicar a veracidade do suposto conluio”.
Prefeito afastado e mais 25 são denunciados à Justiça
O MPMS (Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul) denunciou o prefeito afastado de Terenos, Henrique Budke (PSDB), e mais 25 pessoas envolvidas no suposto esquema de corrupção na prefeitura.
Licitações de obras públicas eram direcionadas e empresas se revezavam nos serviços, garantindo que o grupo se beneficiasse do esquema, que incluía pagamento de propina ao prefeito e a outros citados.
“O que se apurou na investigação é uma organização criminosa instalada no Poder Executivo do Município de Terenos, atuando há anos para fraudar licitações e saquear os cofres públicos, um verdadeiro balcão de negócios comandado pelo prefeito municipal [Henrique Budke]”, pontuou o procurador-geral de Justiça, Romão Ávila Milhan Júnior.
Fonte: Midiamax

