Dirty Pix: denúncia aponta que oito vereadores dividiram R$ 250 mil em propinas em Sidrolândia

A Operação Dirty Pix, do Geco (Grupo Especial de Combate à Corrupção), cumpriu 18 mandados de busca e apreensão em Sidrolândia e Manaus (AM) no último dia 18 de novembro. Mas antes da equipe ir às ruas, denúncia do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) — que embasou os pedidos de busca e apreensão — detalhou as movimentações financeiras entre as empresas, vereadores e demais envolvidos no esquema.

Conforme o documento, os pagamentos foram feitos entre outubro e dezembro de 2022. Os valores alvo da operação vem de um convênio de R$ 5,4 milhões entre o Governo de MS a Prefeitura de Sidrolândia para a compra de equipamentos médicos.

Os valores eram pagos de duas formas: de forma direta, com a empresa de saúde pagando diretamente aos parlamentares ou por meio de terceiros para mascarar a origem do dinheiro.

Desta segunda forma, alguns pagamentos eram feitos em vários montantes. Segundo o documento, os valores eram repassados pela Farma Medical e pela Pharbox — que pertencem ao mesmo grupo empresarial.

Confira quanto cada vereador recebeu, conforme denúncia do MPMS:

VereadoresValor
Adavilton Brandão (recebeu pela conta da esposa)R$ 20 mil
Cledinaldo Marcelino CotocioR$ 25 mil + R$ 5 mil
Cleyton Martins TeixeiraR$ 25 mil + R$ 5 mil
Cristina FiuzaR$ 20 mil
Elieu da Silva VazR$ 5 mil
Enelvo Iradi Felini Júnior (recebeu por meio da Gabriel Autocar)R$ 20 mil
Izaqueu de Souza DinizR$ 100 mil (através da Gabriel Autocar) + R$ 20 mil
José Ademir GabardoR$ 5 mil

Ainda consta na denúncia que o presidente do Hospital Beneficente, Jacob Breure, recebeu 70 mil. Além disso, o documento traz que outro envolvido no esquema, Júlio César Alves da Silva, teria recebido R$ 482,5 mil parceladamente.

Foram alvos da operação:

  • Cristina Fiúza (MDB), vice-prefeita de Sidrolândia;
  • Enelvo Felini Júnior, secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente;
  • Cleyton Teixeira, secretário municipal de Agricultura e Abastecimento;
  • Izaqueu Diniz, o Gabriel Autocar (PSD), vereador;
  • Cledinaldo Cotócio (PSDB), vereador;
  • Adavilton Brandão (MDB), vereador;
  • Jacob Meeuwis Breure, presidente do Hospital Dona Elmíria Silvério Barbosa;
  • Elieu Vaz (PSB), ex-vereador;
  • José Ademir Gabardo (Republicanos), ex-vereador;
  • Júlio César Alves da Silva, articulador político;
  • Júlia Carla Nascimento, filha de Júlio César;
  • Adriele Nogueira Trelha, esposa de Júlio César;
  • Silvio de Azevedo Pereira Júnior, proprietário da Farma Medical e Pharbox;
  • Comercial Gabardo (CNPJ 08.217.980/0001-90);
  • Gabriel Auto Car (CNPJ 19.409.298/0001-16);
  • Farma Medical Distribuidora de Medicamentos e Correlatos (CNPJ  40.273.753/0001-95);
  • Pharbox Distribuidora Farmacêutica de Medicamentos (CNPJ  20.820.379/0001-93).
  • Hospital Beneficente Dona Elmíria Silvério Barbosa (CNPJ 03.030.285/0001-00)

‘Pix sujo’

“Dirty Pix”, termo que dá nome à operação, traduz-se da língua inglesa como “Pix sujo” e faz alusão à natureza ilícita das transferências financeiras utilizadas para viabilizar o esquema.

Por fim, em nota, a Pharbox garantiu ter entregado os dois equipamentos médicos comprados pelo hospital em setembro de 2023.

A empresa alegou, ainda, não ser responsável “pelo que terceiros fazem ou eventualmente fizeram à época, com seus recursos advindos da comissão comercial” e que nenhum pagamento da empresa e da diretora foi feito “a quaisquer dirigentes do referido hospital, tampouco para quaisquer políticos, pessoas citadas, às quais sequer são do nosso conhecimento”.

Fonte: Midiamax

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