
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) completou, no início da tarde desta quarta-feira (3), o segundo dia do julgamento do “núcleo crucial” da tentativa de golpe de Estado no Brasil. Os cinco ministros da Turma vão decidir, diante das provas colhidas no processo, se são procedentes as acusações da Procuradoria Geral da República (PGR). O julgamento histórico deve ir até a sexta-feira (12).
Neste segundo dia, foram ouvidas as defesas de Augusto Heleno, ex-ministro do GSI; Jair Bolsonaro, ex-presidente da República; Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa e Walter Souza Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil.
Em dado momento do julgamento, o advogado Andrew Farias, que defende o general Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa, foi interpelado pela ministra Cármen Lúcia. “Vossa senhoria cinco vezes disse que o seu cliente estava atuando para demover o presidente da República. Demover de que? Porque até agora todo mundo disse que ninguém pensou nada”, questionou a ministra.
Na resposta, o advogado confirmou que havia uma trama golpista: “Falo claramente para a senhora. Demover de adotar qualquer medida de exceção. Atuou ativamente e há provas nos autos”.
Anteriormente, o primeiro a falar foi o advogado Matheus Milanez, representante do do general Heleno, ex-ministro do GSI. A defesa tentou sustentar que ele se afastou de Jair Bolsonaro após o embarque do Centrão no governo e, por isso, perdeu acesso ao núcleo duro do Palácio do Planalto. “A partir da aproximação do presidente com essa corrente majoritária, o general perdeu, vamos assim dizer, espaço no dia a dia do presidente”, argumentou.
Logo após, os advogados Celso Vilardi e Paulo Cunha Bueno representaram a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Vilardi afirmou que o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, não é “confiável”.
“Prova de que ele usou o perfil é absolutamente incontestável”, disse Vilardi sobre perfil fake que teria sido criado por Cid para falar sobre a delação. “O que isso prova? Que esse homem não é confiável”, completou o advogado de Bolsonaro.
O último a fazer a sustentação oral foi o advogado do general Braga Netto, José Luis de Oliveira Lima, que também centrou críticas em Mauro Cid. “Ele estava preso. Ficou preso quatro meses”, afirmou, ao sugerir que Cid foi induzido a delatar por causa da prisão. Ele disse, ainda, que o acordo foi fechado entre Polícia Federal e Mauro Cid “às pressas”, sem participação e “anuência” do Ministério Público Federal. Ainda segundo o advogado, o acordo deveria ser anulado por ser “desprovido de provas”.
O julgamento será retomado na próxima terça-feira (9), às 9h, quando os ministros vão começar a julgar se os réus são inocentes ou culpados. Na sexta-feira (12), os juízes farão a dosimetria das penas para estabelecer o tempo de prisão de cada um dos condenados.
Fonte: ICL

