
O empreiteiro responsável por construir a casa de luxo de Guilherme Derrite (PP) em Porto Feliz afirma que um empresário amigo do secretário da Segurança Pública de São Paulo (SSP) está envolvido nos pagamentos da obra feita em um condomínio de alto padrão na cidade que virou o refúgio dos milionários, a 115 quilômetros da capital paulista.
Conforme o Metrópoles revelou nessa terça-feira (1º/7), Derrite está construindo uma casa de 440 m² com custo estimado em pelo menos R$ 3 milhões, incluindo a compra do terreno, o projeto arquitetônico e a obra. O valor corresponde a mais que o triplo dos R$ 812 mil em bens declarados pelo secretário da gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) há três anos, quando ele se reelegeu deputado federal.
Segundo Genilton Mota, dono da Construtora Mota, os pagamentos da obra são alinhados com Guilherme Moron Peres Trindade. Conhecido como Gui Moron, ele atua com grandes eventos no interior e aparece em reuniões políticas e agendas públicas ao lado de Derrite e de outros empresários parceiros do governo. Em 2023, Moron foi condecorado por Derrite com uma medalha da Polícia Militar (foto em destaque).
“Essa parte [pagamento da obra] é uma parte que eu alinho com o amigo dele e daí ele que faz o pagamento para a gente, mediante nota, certinho”, disse Mota durante uma conversa por telefone na qual a reportagem se passou por um interessado em contratar os serviços da construtora (ouça trecho da conversa no vídeo abaixo).
Questionado se ele se referia ao empresário Moron, o empreiteiro respondeu: “É, o Gui Moron. Faço a nota pra ele certinho, bonitinho. E daí ele faz o pagamento ali”, completou.
O que diz Derrite
Por meio de nota, a Secretaria da Segurança Pública afirmou que “o empresário Guilherme Moron jamais custeou qualquer valor referente à construção do imóvel do secretário Guilherme Derrite”.
“A obra está sendo custeada exclusivamente com recursos próprios do secretário, provenientes da venda de um apartamento de sua titularidade e de seus rendimentos mensais. Todos os pagamentos são realizados diretamente pelo secretário, via transferências bancárias, e devidamente declarados em seu Imposto de Renda”, diz a nota.
Segundo a pasta, “o empresário Guilherme Moron é cliente da construtora responsável pela obra e, por já ter realizado projetos anteriores com a empresa, indicou a empresa ao secretário”.
O Metrópoles não conseguiu contato com o Guilherme Moron nessa terça-feira (1º/7). O espaço segue aberto para manifestação.
Indicação de empresário
A placa da Construtora Mota está na frente da construção da casa de Derrite no condomínio em Porto Feliz. Nas redes sociais, o dono da empresa tem atualizado o passo a passo da obra. Em uma das fotos, aparece ao lado de Derrite. “Prazer em revê-lo nosso amigo e cliente estamos juntos”, escreve.
Na conversa por telefone, Mota disse espontaneamente que a casa em construção citada em uma mensagem de texto anterior é de Derrite e deu detalhes sobre o andamento da obra e de quanto custaria algumas etapas da construção, como o gasto de R$ 140 mil com o assoalho e as paredes em madeira do tipo cumaru, árvore amazônica considerada nobre na arquitetura, e o custo total de R$ 5,5 mil por m².
Mota contou que Derrite foi apresentado a ele por Gui Moron. Na época, o empreiteiro não conhecia o político, a quem hoje faz vários elogios. Segundo ele, enquanto Moron alinha as questões financeiras da construção, o secretário faz questão de acompanhar o andamento da obra pessoalmente, aos sábados.
Fonte: Metrópoles

