As conversas foram vazadas, e mostram os parlamentares trocando ofensas por conta dos votos na reforma tributária

Após três dias da votação da Reforma Tributária na Câmara, as conversas de um grupo de WhatsApp dos deputados do Partido Liberal (PL) ganharam a mídia. O jornal O Globo teve acesso às mensagens trocadas no último domingo (09), em que os parlamentares se xingam, fazem acusações e ameaçam sair do partido.
A votação da Reforma fez com que a maior bancada da Câmara — com 99 parlamentares — acabasse tendo alguns votos difusos. 20 votos foram a favor, enquanto 75 foram contra. Isso gerou instabilidade na legenda, que acarretou na briga no grupo.
Após as discussões na tarde de domingo, o líder da sigla, Altineu Côrtes (PL-RJ), bloqueou o envio de mensagens no grupo. Dentre as ofensas proferidas estavam “melancias traidores” — um sinônimo para ‘comunista’ — e “extremistas”. Além disso, um dos deputados chegou a dizer que o partido “tá igual o PSL”, fazendo alusão as brigas que o antigo partido de Jair Bolsonaro (PL) sofreu antes de se dissolver e fundir com o DEM.
Estopim
A faísca para a briga generalizada foi a mensagem de Vinícius Gurgel (PL), que chamou de “extremistas” e perseguição, as reclamações aos 20 parlamentares que votaram favoráveis à Reforma nas redes sociais. “Só não fico ofendendo nas redes sociais quem vota de um jeito, então peço respeito, cada um tem seu eleitor!”, disse o parlamentar, completando: “Não sou esquerda e nem de direita, sou conservador somente! Se quiserem pedir minha suspensão de comissões, expulsão, do jeito que vier tá bom! Não é comissão que vai me eleger!”.
Já Julia Zanatta (PL) disse: “Não sei por que tanto choro […] Se tinham tanta certeza do voto, por que estão se explicando até agora?”, atribuindo as reclamações à quem fica “choramingando”.
A possibilidade de uma dupla liderança do partido foi discutida. Carlos Jordy (RJ) reagiu dizendo: “Para mim está muito claro: o PL não vai retroagir, o caminho é consolidar-se como o maior partido conservador, de direita, de oposição no Brasil. E aqueles que não aceitam essa posição devem sair do partido”.
Já Júnio Amaral (PL) foi além. Disse que a votação favorável pela Reforma não foi pelo apoio ao texto, afirmando: “Essas tentativas de justificar o voto aqui no grupo da bancada fica parecendo que nós, bolsonaristas, somos otários para acreditar que se trata de um posicionamento verdadeiro a favor do texto, me ajuda aí. Como se ninguém soubesse como funciona”. A fala foi rebatida por Gurgel, falando para que então pedisse a “expulsão” do partido.
Uma tentativa de apaziguar foi feita pelo ex-ministro da Saúde, General Pazuello. Ele escreveu: “Está faltando política nestas discussões!! Srs, considerando que sou um calouro nesta legislatura, peço desculpas caso escorregue em algumas ideias. O nome do nosso partido é Partido Liberal, só pelo nome não cabe radicalismo e acusações!”. A tentativa foi em vão.
Gurgel disse que o partido está parecendo um “casamento forçado” e lamentou a chegada dos deputados à legenda. “Tristeza vcs terem vindo pro PL”. A afirmação foi rebatida por André Fernandes (PL), que questionou de quem Gurgel estava se tratando, que respondeu: “Vc, amigo, é um deles, pede expulsão, não respeita! Preferia vc em outro partido”. Fernandes retrucou dizendo que não são “amigos”.
Fonte: IG.

