RIO BRILHANTE: SERGIO SILVA PROPÕE QUE CLÍNICA DA MULHER PASSE A SE CHAMAR MAIANA BARBOSA

Ex-moradora de Rio Brilhante é assassinada juntamente com sua filha em  Dourados – Mil Notícias – Conteúdo atrativo e verdadeiro

Será votada nesta noite a indicação do vereador Sergio Silva (PSDB), que em sendo aprovada, passa a chamar a clínica da mulher de Maiana Barbosa de Oliveira. No dia em que se comemora o dia internacional da mulher, o objetivo do parlamentar é o de que possamos ter um olhar mais humano sobre um assunto tão sério que é o feminicídio.

Veja a justificativa de Sérgio para a propositura: “Maiana Barbosa de Oliveira, rio-brilhantense, nasceu no dia  13 de novembro de 1998. Aqui ela morava com a família e trabalhava na Usina Rio Brilhante. A jovem cursava História na Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD).
Mulher negra, guerreira, amante e praticante da capoeira, tinha atuação em defesa das minorias, contra o racismo, era ativista de movimentos sociais. Aos 20 anos foi brutalmente assassinada por seu ex-companheiro, na cidade de Dourados, na companhia da filha de um mês. 
Um crime que chocou nossa cidade e região na época. Os corpos de Maiana e de Dandara foram encontrados pela mãe de Marcos, autor do crime e pai da filha de Maiana,  na casa da família dele, no dia 26 de novembro de 2018.
A Universidade onde Maiana estudava, suspendeu as aulas do curso no dia do crime para que homenagens fossem feitas. Mãe e filha foram enterradas em Rio Brilhante, no dia seguinte. À família de Maiana comentou que tinha medo de Marcos, porque ele seria usuário de drogas.
 
A mãe de Maiana, Dona Maria de Lourdes Barbosa, busca forças para aceitar a tragédia que aconteceu com sua  filha e sua neta, mas é com muito orgulho que lembra da jovem determinada, alegre, estudiosa e cheia de sonhos.
Relembra que Maiana escolheu nome da filha  após pesquisar na internet e descobrir que “Dandara” simboliza a luta de uma mulher por igualdades. Dona Maria também falou sobre um livro que Maiana estava lendo poucos dias antes de morrer, cujo tema trata sobre o enfrentamento das mulheres negras a violência de gênero e as lutas por dias melhores.
Dona Maria relata ainda que aos 13 anos Maiana quis fazer capoeira, e sendo menor de idade, teve que assinar autorização. Muito dedicada, foi subindo todos os degraus do esporte.
Responsável em tudo o que fazia, saia às 5h para trabalhar e voltava 1h da manhã, após as aulas na faculdade sem nunca reclamar, sem cansaço. Mesmo grávida não parou de trabalhar nem de estudar. Quando prestou vestibular na universidade federal, não imaginava que iria passar, mas conseguiu. Sempre foi muito inteligente.
Foi uma filha que nunca deu trabalho, ao contrário, era carinhosa (beijava a mãe todos os dias ao sair para o trabalho). Era antenada nos acontecimentos políticos e muito bem informada. A mãe conta também que quando ela estudava no Fernandão ia e vinha de bicicleta, mas tinha muito medo. Por segurança, ela queria murar o quintal, coisa que sua mãe fez com o dinheiro do  seguro, após seu falecimento”.

 
“Nomear a Clínica da Mulher como MAIANA BARBOSA DE OLIVEIRA, além de eternizar sua história, alegria e vontade de viver, será também um exemplo para que no futuro, saibam da luta da nossa geração pelo fim da violência contra as mulheres. Maiana sempre vai ser lembrada pela sua resistência e pela sua militância e sempre estará presente.
 
É uma homenagem simbólica à Maiana, mas, sobretudo  uma forma de continuarmos enfrentando a violência covarde e desumana contra todas as mulheres”. 

No Brasil, as maiores vítimas do feminicídio são negras e jovens, com idade entre 18 e 30 anos. De acordo com os últimos dados do Mapa da Violência, a taxa de assassinato de mulheres negras aumentou 54% em dez anos. O número de crimes contra mulheres brancas, em compensação, caiu 10% no mesmo período.

Segundo o levantamento, três em cada dez mulheres brasileiras sofreram algum tipo de violência nos últimos 12 meses. A principal delas é a ofensa verbal, seguida da ameaça de violência física.  Em 61% dos casos, o agressor é conhecido da vítima, sendo principalmente companheiros e ex-companheiros.

A violência contra a mulher em 2020, o que inclui o feminicídio, entrou na terceira posição do ranking de eventos monitorados pela Rede. Entre os mais de 18 mil eventos relacionados à segurança pública e a violência, 1.823 se referem aos crimes de gênero contra a mulher, o que dá a média de cinco casos ao dia.

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