Dólar bate R$ 5,71 e renova recorde histórico com demissão de Moro

O dólar opera novamente em alta nesta sexta-feira (24), renovando máximas históricas de cotação nominal (sem considerar a inflação), com a tensão política em torno da exoneração do diretor-geral da Polícia Federal e após o ministro da Justiça, Sérgio Moro, anunciar a demissão do cargo e sua saída do governo Bolsonaro.

Às 12h38, a moeda norte-americana era vendida a R$ 5,7088, em alta de 3,26%. Na máxima até o momento, logo após o inicio do pronunciamento de Moro, chegou a R$ 5,7172 – novo recorde intradia. Veja mais cotações.

Já a Bovespa opera em forte queda nesta sexta-feira.

Na véspera, o dólar encerrou o dia em alta de 2,21%, a R$ 5,5285, novo recorde nominal de fechamento. Na máxima do dia durante os negócios, chegou R$ 5,5300. No mês, a moeda acumulou alta de 6,40%. No ano, a valorização é de 37,87%.

Atuação do Banco Central

Em meio à disparada do dólar, o Banco Central anunciou para esta sexta-feira leilões de linha de dólar e de contratos de swap cambial para rolagem de vencimentos em ambos os instrumentos, com uma oferta total de US$ 3,5 bilhões.

Tensão política

Aliados do ministro da Justiça, Sergio Moro, afirmaram que ele foi pego de surpresa com a publicação, no “Diário Oficial” desta sexta-feira (24), da exoneração do delegado Maurício Valeixo, agora ex-diretor-geral da Polícia Federal.

Ao anunciar sua saída do governo, Moro afirmou que disse para Bolsonaro que não se opunha à troca de comando na PF, desde que o presidente lhe apresentasse uma razão para isso. Ele disse ainda que o problema não é a troca em si, mas o motivo pelo qual Bolsonaro tomou a atitude. Segundo o agora ex-ministro, Bolsonaro quer “colher” informações dentro da PF, como relatórios de inteligência

O mercado reagiu negativamente por entender que o movimento indica mais tensões políticas dentro do governo e pode acabar piorando a avaliação do próprio presidente. Moro está entre os ministros mais bem avaliados pela população.

Tombo da atividade econômica

No noticiário econômico, pesquisa da Fundação Getulio Vargas (FGV) mostrou que a confiança da indústria brasileira deve registrar uma queda histórica em abril. A prévia da sondagem do setor indica recuo de 39,5 pontos, para 58,0 pontos. Caso esse resultado se confirme, essa será a maior queda mensal da história do indicador, com o índice alcançando o menor valor da série.

As contas externas do Brasil registraram déficit de US$ 15,242 bilhões no primeiro trimestre deste ano, com aumento de 1,32% na comparação com o mesmo período de 2019, informou o Banco Central nesta sexta-feira (24). Foi o maior rombo para o período desde 2015, ou seja, em cinco anos.

“A deterioração das contas públicas em decorrência da pandemia da Covid-19, associada à interminável crise, especialmente entre o Executivo e Legislativo, põe o Brasil nas cordas. O risco-país afugenta os investidores”, disse em nota Ricardo Gomes da Silva, da Correparti Corretora.

O mercado passou a estimar retração de 2,96% do PIB em 2020, segundo a última pesquisa Focus do Banco Central, e diversos bancos e consultorias avaliam que o país corre o risco de enfrentar uma nova recessão. Já o Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê queda de 5,3% do PIB do Brasil neste ano.https://audioglobo.globo.com/widget/widget.html?audio=299228&podcast=702&color=C4170C

Dólar 23.04.2020 — Foto: Economia G1
Dólar 23.04.2020 — Foto: Economia G1

Fonte: G1.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.