Na gestão tucana, número de mortes de pacientes cresce 126% no Hospital Regional

Houve aumento de 126% no número de mortes de pacientes nos últimos cinco anos no Hospital Regional de Mato Grosso do Sul Rosa Pedrossian. Entre 2014, último ano da gestão de André Puccinelli (MDB), a média mensal era de 60 óbitos no estabelecimento. Desde a posse de Reinaldo Azambuja (PSDB), a média vem crescendo e chegou a 136 por mês neste ano, conforme informações repassadas à Justiça.

A aumento na mortalidade de doentes no HR voltou aos holofotes graças ao juiz David de Oliveira Gomes Filho, da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos. Alarmado com a quantidade de óbitos na instituição, o magistrado determinou a abertura de inquérito pelo Ministério Público Estadual para apurar a causa das mortes e apurar os crimes de improbidade administrativa e penal.

Apesar do tucano ter sido eleito com a promessa de melhorar a saúde pública e critica duramente o antecessor por ter reduzido o número de leitos do SUS (Sistema Único de Saúde), Reinaldo vê a situação piorar desde a sua posse no cargo de governador de Mato Grosso do Sul.

Conforme denúncia do Ministério Público Estadual, falta de tudo no HR, desde materiais hospitalares necessários para o sucesso de uma cirurgia até remédios para tratar os pacientes internados na instituição. O Governo só se preocupou em abastecer as farmácias do hospital após a Justiça conceder liminar a pedido do MPE.

Enquanto pacientes morrem na Capital a espera de leitos em UTI (Unidade de Terapia Intensiva), o HR está com cinco leitos intensivos encaixotados há vários meses por falta de funcionários para ativá-los.

Em mais uma ação, para obrigar o Estado a retomar o serviço de hemodinâmica da instituição, que suspendeu o atendimento por falta de materiais no início de setembro, o juiz mandou o HR informar quantos pacientes morreram em decorrência de faltar quase tudo na unidade. A Fundação Estadual de Saúde informou que 1.140 pessoas morreram entre 1º de fevereiro e 14 de outubro deste ano no local, alarmando a população.

Confira os números

AnoMortes HR
20131.072
2014728
20161.491
20171.436
20181.419
2019*1.140
(*) de 1º/02 a 14/10

Na expectativa de tranquilizar a sociedade, o secretário estadual de Saúde, Geraldo Resende, alçado ao cargo após não conseguir a reeleição como deputado federal, informou que as mortes estavam dentro da média histórica de 1,3 mil por ano.

Só que o relatório feito pela equipe de André Puccinelli mostra outra situação. De acordo com o documento, em 2014, último ano do emedebista, 728 pessoas morreram no HR. Isso representa média de 60 óbitos mensais. Comparando-se com o último ano do primeiro mandato de Reinaldo, houve aumento de 96,6% no número de mortes, já que foram 1.419, de acordo com nota oficial do secretário. Ou seja, a média saltou de 60 para 118 mortes por mês.

A situação piorou neste ano, com 1.089 pacientes que não resistiram e faleceram entre fevereiro e setembro deste ano. Isso significa 136 mortes por mês, aumento de 126% em relação ao último ano de Puccinelli.

Um integrante da administração na época do emedebista contou que houve esforço para reduzir a mortalidade e dar tratamento digno aos pacientes. Em 2013, quando foram 1.072 mortes, a média mensal era de 89,3 óbitos. Ou seja, houve redução de 32,1%.

Resende e Reinaldo minimizam crise no HR, mas MPE deve investigar se há crimes e quem são os responsáveis pela tragédia (Foto: Arquivo)

O Governo do Estado pretende repassar a gestão do HR para a iniciativa privada. A proposta é adotar o mesmo modelo que não deu certo em Ponta Porã e Chapadão do Sul. O Governo contratou uma organização social com denúncias de corrupção em São Paulo e Santa Catarina.

Geraldo tem enfatizado que a meta é reduzir o investimento no Hospital Regional. Ele tem se queixado do alto valor gasto com o estabelecimento.

Dados não são oficiais e número de óbitos foi maior em 2014, diz secretaria

Em nota, a Secretaria Estadual de Saúde contesta a queda no número de óbitos no último ano da gestão de Puccinelli. A pasta enfatiza que os dados não são oficiais e que o sistema do Ministério de Saúde aponta 1.228 mortes em 2014.

Confira a nota:

“A Secretaria de Estado de Saúde (SES) informa que esses números de 728 óbitos em 2014 no Hospital Regional de Mato Grosso do Sul (HRMS) não são oficiais.  De acordo com o Sistema de Informações sobre Mortalidade, do Ministério da Saúde, ocorreram 1.228 óbitos em 2014 no HRMS.

O percentual de óbitos em relação às internações no Hospital Regional de Mato grosso do Sul está dentro da média nacional.

De acordo com a Secretaria, os dados apresentados estão distorcidos, desatualizados e transmitem informações falsas à população. Já os números divulgados pela SES são oficiais, colhidos do SIM (Sistema de Informação sobre Mortalidade) do Ministério da Saúde, fornecidos pelos estabelecimentos hospitalares de todo o país.

‘Os números que nós divulgamos foram alimentados nesse Sistema a partir de dados repassados ao Município de Campo Grande pelo próprio hospital, os quais são inseridos no SIM por servidores devidamente credenciados para isso. Portanto, são dados oficiais e confiáveis. Não poderíamos ser irresponsáveis ao ponto de nos basear em qualquer outra fonte de informação’, afirma o Secretário Estadual de Saúde Geraldo Resende.

‘Infelizmente estes dados falsos e vindos de fontes não identificáveis prestam um desserviço à saúde pública e maculam a imagem de um conjunto de servidores que, com sacrifício, fazem do Regional um hospital de referência em alta complexidade em várias especialidades médica. As informações distorcidas trazem temores infundados à população’, afirma o secretário.

SIM

O Sistema de Informações sobre Mortalidade foi criado pelo Ministério da Saúde em 1975, com o objetivo de obtenção regular de dados sobre mortalidade no país. ‘A partir da criação desse sistema, foi possível a captação de dados sobre mortalidade, de forma abrangente, para subsidiar as diversas esferas da gestão pública. Com base nessas informações é possível realizar análises de situação, planejamento e avaliação das ações e programas da área’, informa material do Portal da Saúde, do Ministério da Saúde.”

Fonte: Ojacaré

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